Nos últimos 60 anos, cada vez que o sistema financeiro entrou em crise as autoridades agiram injectando dinheiro para estimular a economia. Isto criou um sistema de incentivos assimétricos, considerado por muitos especialistas como um risco moral, que encorajava uma expansão de crédito cada vez maior. Um destes especialistas foi George Soros ao considerar que este sistema foi tão bem sucedido que todos passaram a acreditar naquilo que o então presidente Reagan chamava de mágica dos mercados-livres. Ao contrario George Soros designou esta característica como sendo o fundamentalismo do mercado-livre. [...]
A actual crise europeia tornou difícil ou até mesmo impossível, o pagamento ou refinanciamento da dívida pública europeia sem a ajuda de terceiros. A partir do final de 2009, o receio de uma crise de dívida pública desenvolveu-se entre os investidores tendo como resultado o aumento dos níveis de endividamento do governo e entidades privadas. Por outro lado, as dívidas privadas decorrentes da bolha de especulação imobiliária, foram transferidas para a dívida pública como resultado dos resgates do sistema bancário e das respostas governamentais à desaceleração das economias no período pós-bolha. Na Grécia, os insustentáveis compromissos salariais do sector público e de pensões impulsionaram o aumento da dívida. Os problemas intensificaram-se levando os ministros das finanças europeus a aprovar a criação do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) e o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) mas sem grande sucesso. [...]
O termo crise financeira é aplicado a uma variedade de situações nas quais instituições ou activos financeiros se desvalorizam repentinamente. No século XIX e no início do século XX, muitas crises financeiras estiveram associadas a corridas aos bancos, durante períodos de recessão. Outras caracterizaram-se pelo estouro de uma bolha financeira e pela quebra do mercado de acções ou por ataques especulativos à moeda de um país ou quando um país suspende o pagamento de sua dívida. [...]