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O que podemos fazer?

Os fundamentalistas acreditam que os mercados tendem a um equilíbrio natural e que os interesses das sociedades serão alcançados se cada indivíduo lutar livremente pelos seus próprios interesses esquecendo os de todos os outros. Esta é uma concepção obviamente errónea - então não foi exactamente a intervenção nos mercados e não a acção livre dos mercados, que evitou que os sistemas financeiros entrassem em colapso. Não obstante, este fundamentalismo do mercado-livre emergiu como a ideologia económica dominante desde a década de 80, quando os mercados financeiros começaram a ser globalizados, e os Estados Unidos passaram a ter um deficit na sua conta-corrente. A globalização permitiu aos Estados Unidos sugar a poupança mundial, e consumir muito mais do que produzia, tendo o seu deficit de conta-corrente atingido 6,2% do PIB em 2006. Os mercados financeiros empurram os consumidores a pedir mais empréstimos, criando cada vez mais instrumentos sofisticados e condições favoráveis ao endividamento. As autoridades financeiras colaboram e incentivam este processo, intervindo - para injectar liquidez - cada vez que o sistema financeiro global se vê em risco. A partir de 1980 os mercados financeiros mundiais começaram a ser desregulamentados, tendo sido a sua supervisão progressivamente relaxada até virtualmente desaparecer. A super-expansão dos empréstimos descarrilou quando os instrumentos financeiros se tornaram tão complicados que as autoridades financeiras ficaram tecnicamente incapazes de avaliar os riscos desses mesmos instrumentos financeiros, e passaram a utilizar os sistemas de gestão de riscos dos próprios bancos privados. Da mesma forma, as agências de rating internacionais usaram as informações fornecidas pelos próprios bancos sofre os instrumentos financeiros para fazer as suas analises, uma chocante abdicação da sua responsabilidade segundo considerou George Soros. Desde que a crise se agravou e se generalizou, paralisando até o sistema de empréstimos inter-bancário mundial, muitos governos decidiram pôr de lado as suas teorias de mercado-livre e passaram a socorrer directamente e activamente os bancos privados em dificuldades. Só nos Estados Unidos logo no inicio da crise foram gastos cerca de dois triliões de dólares a tentar salvar instituições financeiras seguidas pelo maior pacote de ajuda alguma vez aprovado de setecentos biliões de dólares para socorrer os banqueiros. Os países da UE também despenderam várias centenas de biliões de euros na tentativa de salvar bancos privados. Em Abril de 2009, o G-20, reunido em Londres, anunciou a injecção de 1 trilião dólares na economia mundial para combater a crise financeira global. George Soros, no seu livro The New Paradigm for Financial Markets (2008), diz que estamos no meio da maior crise financeira desde a Grande Depressão de 1929 e declara que, em tese, isto poderia ter sido evitado. Considera ainda que, a ideia de fundamentalismo do mercado-livre, que hoje é a ideologia dominante, e que pressupõe que os mercados se corrigem a si mesmo; é completamente falsa porque geralmente é a intervenção das autoridades que salvam os mercados à custa dos contribuintes. Desde 1980 tivemos cinco ou seis crises financeiras: a crise bancária internacional de 1982, a falência do banco Continental Illinois em 1984 e a falência do Long-Term Capital Management, em 1998, só para citar três. De todas as vezes, foram as autoridades que salvaram os mercados, ou organizaram empresas para o fazer. No entanto, de alguma forma, a ideia de que os mercados tendem ao equilíbrio por si e que os seus desvios são aleatórios ganhou aceitação geral e todos estes instrumentos financeiros sofisticados foram baseados nesta aceitação. Mas é possível viver de outra forma, veja como:

publicado à mais de 6 anos
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